BELEZA – Anselm Grün

GRÜN, Anselm. Beleza: uma nova espiritualidade da alegria de viver. Tradução de Nélio Schneider. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

Esses dias finalizei a leitura de “Beleza: Uma nova espiritualidade da alegria de viver”, livro onde o autor Anselm Grün1 mostra maneiras de perceber atentamente a beleza no mundo. O texto revela uma importante mensagem: aquilo que é belo tem como fonte o autor da beleza. Desse modo, contemplar algo belo é também, de alguma maneira, contemplar a fonte da beleza, o Deus criador.

Este é um assunto pouco falado no dia a dia e até em círculos mais intelectuais da espiritualidade cristã. De modo geral, gostamos do que é belo, mas pouco refletimos sobre a beleza – esse fenômeno que nos leva à admiração. A exemplo disso temos as artes e sua maravilhosa capacidade de expressar beleza, que infelizmente nos últimos tempos vêm deixando de ter um lugar importante na vida cotidiana e na formação pessoal. Entretanto, não é que estejamos parando de consumir artes, mas aqui está o problema do mundo moderno, passou-se a pensar que a arte também é um produto de consumo, apenas mais uma mercadoria na prateleira do universo consumista.

Assim, cabe esse retorno à contemplação, ao maravilhamento. Como diz um excelente professor meu, Pe. André: “Maravilha!”. É disso que precisamos quando falamos de arte, quando pensamos na beleza. Carecemos de admirá-la, até porque, como já dito, isso pode nos levar até Deus.

Grün utiliza uma frase do romancista russo Fiódor Dostoiévski2 para sustentar suas reflexões sobre o belo, que diz: “A beleza salvará o mundo”. Isto é belo! Isto traz esperança! Em um mundo de consumo e de definição de valores a partir dessa prática, pensar na contemplação do belo é algo necessário para a nossa salvação. Precisamos resgatar a sensibilidade de olhar, ouvir, colocar nossos sentidos concentrados naquilo que é belo. Pode ser música, pintura, desenho, teatro, cinema, paisagem. É possível através da beleza lembrarmos de que, assim como tudo o que conhecemos, ela subentende uma fonte. Dessa forma, voltamos ao que foi dito no início desse texto. Ver o belo é ver também aquele que criou a beleza e nos tornou capazes de admirá-la.

Através dos seus 13 capítulos, o livro explora a beleza em diversas dimensões, partindo de reflexões filosóficas em Platão e Kant e da análise literária em Dostoiévski. A obra se aprofunda na beleza de Jesus Cristo nos Evangelhos de Lucas e João. Em seguida, percorre a beleza presente na criação, na linguagem, na música, nas artes visuais, na arquitetura e na liturgia, além de abordar a beleza do corpo e a alegria de viver. O livro culmina na apresentação de um caminho para desenvolver uma espiritualidade da beleza e sete atitudes para cultivá-la no cotidiano.

Por fim, além de deixar aqui uma indicação para a realização dessa leitura, deixo também o meu desejo de que sejamos apreciadores e contempladores da beleza, mesmo em um mundo de consumo. Que não estejamos preocupados em obter o que transmite beleza, mas sim em apenas contemplar. Pois o que é belo não pode ser comprado, mas vivenciado, experienciado. A beleza é para ser sentida e, a partir dela, gerar reflexão sobre a vida, de modo que conheçamos em alguma medida nós mesmos e o Criador-fonte.

  1. Anselm Grün (nascido em 14 de janeiro de 1945, em Junkershausen, Alemanha) é um monge beneditino e proeminente autor de espiritualidade. ↩︎
  2. Fiódor Dostoiévski (nascido em 11 de novembro de 1821, em Moscou, Rússia) foi um romancista, contista e ensaísta russo, conhecido por sua profunda exploração da psicologia humana e por ser um dos maiores escritores da história, falecido em 9 de fevereiro de 1881. ↩︎

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